Quanto cobrar por um serviço: como calcular o preço da mão de obra (com planilha grátis) Gestão de Campo

Quanto cobrar por um serviço: como calcular o preço da mão de obra (com planilha grátis)

Gestão de Campo · Equipe Dominex · 2026-06-28

Quase todo dono de empresa de serviço já passou por isso: o cliente pede um orçamento, você olha pro teto, faz uma conta de cabeça e solta um número. Às vezes ganha o trabalho e descobre no fim do mês que trabalhou de graça. Às vezes perde porque cobrou caro sem saber por quê. O problema não é falta de competência técnica, é que ninguém ensina o dono a formar preço. Este guia resolve isso de cabo a rabo: como calcular o custo da sua hora de trabalho, como montar o preço com lucro de verdade e quando usar cada uma das três formas de precificar (BDI, markup e margem de contribuição).

Vale pra qualquer serviço de campo: eletricista, instalador de ar-condicionado, técnico de CFTV, instalador de energia solar, dedetizador, provedor de internet, manutenção predial. A lógica é a mesma. Muda só o número que entra na conta. E no fim você baixa uma planilha gratuita que faz toda essa matemática pra você.

📊 Baixe a planilha de precificação grátis

Calcula o custo da sua hora-técnica, aplica o BDI e a margem de contribuição automaticamente. Você digita o custo da mão de obra (de um técnico ou da equipe inteira) e os seus percentuais, e ela monta o preço, o valor à vista, a parcela e a margem. Já faz a conta do jeito certo, dividindo o custo pelo BDI, sem risco de você multiplicar errado.

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Como calcular o preço de um serviço?

O preço de um serviço é a soma de quatro blocos: o custo direto (mão de obra e material daquele trabalho), as despesas fixas da sua empresa rateadas, os impostos sobre a nota, e o lucro que você quer ganhar. Quem esquece de qualquer um desses blocos cobra menos do que deveria e financia o próprio prejuízo sem perceber.

A frase resume tudo: preço não é o que o concorrente cobra, é o que cobre seus custos mais a margem que você quer. Olhar o concorrente serve pra saber se você está dentro do mercado, mas o ponto de partida sempre são os seus números. Vamos abrir os quatro blocos.

Os 4 blocos do preço de um serviço Custo direto mão de obra + material da OS o que aquele serviço consome + Despesa fixa rateada aluguel, carro, salário do escritório + Impostos ISS, Simples o que sai na nota fiscal + Lucro o que você quer ganhar
O preço justo cobre os quatro blocos. Tirar qualquer um deles é cobrar abaixo do custo sem perceber.

Bloco 1: custo direto (mão de obra + material)

É tudo que aquele serviço específico consome. O material aplicado (cabo, gás, fita, peça, sensor) e as horas de trabalho do técnico naquele atendimento. A parte de material é fácil, é o que você pagou no fornecedor. A parte da mão de obra é onde quase todo mundo erra, porque acha que o custo da hora é só o salário dividido pelas horas do mês. Não é. Mais adiante mostramos o cálculo correto do custo da hora-técnica.

Bloco 2: despesa fixa rateada

São os custos que você paga existindo, vendendo ou não: aluguel, energia do escritório, internet, salário de quem não vai a campo, contador, carro da empresa, ferramentas, software de gestão. Esse valor precisa estar embutido no preço de cada serviço, senão ele não se paga. O jeito de embutir é ratear: pega o total de despesa fixa do mês e divide pelas horas produtivas que a equipe entrega no mês.

Bloco 3: impostos sobre a nota

Quando você emite a nota fiscal de serviço (NFS-e), incide imposto. Para a maioria das pequenas empresas de serviço no Simples Nacional, a alíquota efetiva costuma ficar entre 6% e 18% conforme a faixa de faturamento e o anexo. Para o MEI, há um valor fixo mensal. O imposto sai de cima do preço de venda, então ele precisa estar dentro do preço, não pode ser descontado do seu lucro depois.

O ISS (Imposto Sobre Serviços) é o tributo municipal que incide sobre a prestação de serviços. A alíquota é definida por cada município, dentro do limite mínimo de 2% e máximo de 5% fixado em lei complementar federal.

Ver fonte (LC 116/2003) ↗

Bloco 4: lucro

O lucro é o que sobra pra você depois de cobrir custos, despesas e impostos. Não é "o que sobrar no fim do mês", é uma porcentagem que você decide e coloca dentro do preço de propósito. Sem essa linha, sua empresa só empata, e empatar não paga investimento, reserva, nem o seu pró-labore de verdade.

Como calcular o custo da hora-técnica passo a passo

Antes de cobrar por hora, você precisa saber quanto a sua hora custa. Esse é o erro número um de quem precifica no chute: dividir o salário pelas 220 horas do mês e achar que aquilo é o custo. Não é, por dois motivos. Primeiro, o técnico custa muito mais que o salário (tem encargo, férias, 13º, FGTS). Segundo, ele não produz 220 horas, porque parte do tempo é deslocamento, almoço, café, retrabalho e ociosidade.

O cálculo correto tem quatro passos. Vamos com um exemplo de um técnico com salário de R$ 2.500.

PassoO que entraExemplo
1. Salário baseO que está na carteiraR$ 2.500
2. + EncargosFGTS, férias + 1/3, 13º, INSS patronal, provisões (de 60% a 80% sobre o salário no regime CLT)+ R$ 1.750 (70%) = R$ 4.250/mês
3. Horas produtivas reaisNão são as 220h. Tire deslocamento, almoço, ociosidade. Reste em torno de 6h úteis por dia útil≈ 132 horas/mês
4. Custo da hora-técnicaCusto total ÷ horas produtivasR$ 4.250 ÷ 132 = R$ 32,20/hora

Veja o tamanho do erro: o salário "por hora" ingênuo seria R$ 2.500 ÷ 220 = R$ 11,36. O custo real da hora é R$ 32,20, quase o triplo. Quem cobra com base nos R$ 11,36 está pagando pra trabalhar. E isso é só o custo da hora, ainda sem despesa fixa, imposto e lucro por cima. Por isso a próxima etapa é decidir qual método usar pra transformar custo em preço.

Equipe de eletricistas trabalhando em um poste de energia em Belo Horizonte, com caminhão e cesto aéreo, exemplo de prestador de serviço de campo no Brasil que precisa calcular o custo da hora-técnica
Seja eletricista, refrigerista ou instalador, a hora do técnico custa bem mais que o salário dividido pelo mês.

As 3 formas de precificar: BDI, markup e margem de contribuição

Existem três métodos clássicos pra transformar custo em preço de venda. Eles não competem entre si, cada um serve a uma situação. O markup é o do dia a dia (orçamento de serviço comum). O BDI é o de obra e instalação (empreitada). A margem de contribuição é a ferramenta de decisão (saber se vale a pena pegar o trabalho e qual o seu ponto de equilíbrio). Vamos abrir cada um com fórmula e exemplo, e no fim uma tabela diz quando usar qual.

BDI x Markup x Margem de contribuição MARKUP Multiplicador sobre o custo Serviço comum, orçamento do dia a dia "qual preço cobrir custo, despesa e lucro?" BDI Custo ÷ fator Instalação, obra e proposta no sistema "qual preço com imposto, indiretos e lucro?" MARGEM DE CONTRIB. Preço − custos variáveis Decisão e ponto de equilíbrio "vale a pena pegar? a partir de quanto lucro?"
Três ferramentas, três perguntas diferentes. Bom prestador usa as três conforme o tipo de trabalho.

O que é markup e como calcular?

O markup é um multiplicador que você aplica sobre o custo pra chegar no preço de venda já cobrindo despesas fixas, impostos e lucro de uma vez só. É o método mais usado no orçamento de serviço do dia a dia, porque é rápido: calcula o multiplicador uma vez e aplica em todo orçamento.

A fórmula do divisor do markup é:

Markup = 1 ÷ [ 1 − (%despesas fixas + %impostos + %lucro) ]

Todos os percentuais sobre o preço de venda, em forma decimal.

Exemplo. Suponha despesas fixas representando 20% do faturamento, impostos de 10% e lucro desejado de 15%:

Item%
Despesas fixas20%
Impostos (Simples/ISS)10%
Lucro desejado15%
Soma45% (0,45)
1 − 0,450,55
Markup = 1 ÷ 0,55≈ 1,82

Pronto. Se o custo direto de um serviço (mão de obra + material) deu R$ 200, o preço de venda é R$ 200 × 1,82 = R$ 364. Esse preço já cobre as despesas fixas, os impostos da nota e os 15% de lucro. Repare que multiplicar o custo "por 2 no olho" daria R$ 400, e abaixo de 1,82 você estaria comendo o próprio lucro. É por isso que o multiplicador tem que vir de conta, não de hábito.

O que é BDI e como calcular?

BDI é a sigla de Benefícios e Despesas Indiretas. Em português simples: é tudo que tem que estar dentro do preço além do custo direto do serviço (impostos, despesas da empresa que não aparecem na conta da obra, e o seu lucro). É o método que o sistema da Dominex usa pra montar o preço de orçamentos e propostas, principalmente em instalação e obra. Se você instala ar-condicionado, monta usina solar, faz infraestrutura de rede ou reforma elétrica, o BDI é a sua linguagem.

Aqui vem o ponto que quase todo mundo entende errado, e que dá autoridade pro nosso método: no BDI você não soma a porcentagem ao custo, você divide o custo por um fator. É exatamente assim que o Dominex calcula. Veja a fórmula que o sistema usa, ela é mais simples do que parece:

BDI = (100 − impostos% − administração% − lucro%) ÷ 100

O resultado é um fator (um número entre 0 e 1). Depois: Preço = Custo total ÷ BDI.

Vamos a um exemplo. Suponha impostos de 10%, despesas de administração (os custos indiretos da empresa) de 12% e lucro desejado de 15%:

Componente%
Impostos sobre a nota10%
Administração / custos indiretos12%
Lucro desejado15%
Soma37%
100 − 3763
BDI = 63 ÷ 1000,63

Agora é só dividir o custo pelo fator. Se o custo total de um serviço deu R$ 100, o preço é R$ 100 ÷ 0,63 = R$ 158,73. Esse preço já cobre os 10% de imposto, os 12% de administração e os 15% de lucro, todos calculados sobre o preço de venda (que é o jeito certo, como explicamos mais abaixo na seção dos mitos).

O que entra no "custo total"

No método do Dominex, o custo total que vai pra dentro da divisão é a soma de três coisas:

  • Mão de obra daquele serviço (lembrando do custo-hora real, não do salário cru).
  • Materiais aplicados (peças, gás, cabo, insumos).
  • Deslocamento, que é a distância em quilômetros vezes o seu custo por quilômetro (km × custo por km). Atendimento longe custa caro e tem que entrar na conta.

À vista e parcelado

Depois de chegar no preço, o sistema ainda calcula as duas formas de pagamento:

  • À vista: preço × (1 − desconto%). Com 6% de desconto, R$ 158,73 × 0,94 = R$ 149,21.
  • Parcelado: preço ÷ número de parcelas. Em 10 vezes, R$ 158,73 ÷ 10 = R$ 15,87 por parcela.

Um detalhe pra quem já ouviu falar de BDI em construção civil: existe sim uma fórmula mais longa do BDI composto (usada em obra pública, referência do TCU) que multiplica vários fatores de risco, seguro e garantia. Mas o método prático que o Dominex usa, e que resolve a vida da grande maioria das empresas de serviço, é esse do divisor acima: rápido, claro e difícil de errar.

Boa notícia: você não precisa fazer essa conta na mão a cada orçamento. O sistema da Dominex já calcula o BDI dentro do módulo de orçamentos e propostas, com impostos, administração, lucro e deslocamento separados, e já entrega o preço final, o valor à vista e a parcela. É só montar a proposta direto no celular ou no computador.

Qual a diferença entre markup e margem de contribuição?

Markup e margem de contribuição parecem a mesma coisa, mas respondem perguntas diferentes. O markup te diz qual preço cobrar. A margem de contribuição te diz quanto sobra de cada venda pra pagar as despesas fixas e gerar lucro, e a partir de quantos serviços por mês sua empresa começa a ganhar dinheiro (o ponto de equilíbrio). Markup é ferramenta de formação de preço; margem é ferramenta de decisão.

A fórmula é:

Margem de contribuição = Preço de venda − Custos e despesas variáveis

Variáveis = o que só existe se a venda acontecer (material aplicado, comissão, imposto sobre aquela nota).

Exemplo. Um serviço vendido por R$ 364, com custo variável (material + imposto + comissão) de R$ 150:

ItemValor
Preço de vendaR$ 364
(−) Custos e despesas variáveisR$ 150
= Margem de contribuiçãoR$ 214 (59%)

Esses R$ 214 são o que cada serviço "contribui" pra pagar as despesas fixas da empresa. Se a sua despesa fixa mensal é R$ 6.000, você precisa de R$ 6.000 ÷ R$ 214 ≈ 28 serviços por mês só pra empatar (ponto de equilíbrio). Do 29º em diante, é lucro. Essa é a leitura que o markup sozinho não te dá, e é por isso que vale dominar os dois.

Tabela comparativa: quando usar cada um

MétodoO que fazQuando usarPergunta que responde
Markup Multiplica o custo pra chegar no preço já com despesa, imposto e lucro Orçamento de serviço do dia a dia (visita, manutenção, conserto, atendimento avulso) Qual preço cobrar agora?
BDI Divide o custo total por um fator pra embutir imposto, indiretos e lucro de uma vez Instalação, obra e proposta montada no sistema (método que o Dominex usa) Qual preço já com imposto, indiretos e lucro?
Margem de contribuição Mostra quanto cada venda contribui depois dos variáveis Decidir se vale pegar o trabalho, achar o ponto de equilíbrio, comparar serviços Vale a pena? A partir de quantos por mês eu lucro?

📊 Não quer fazer essa conta na mão?

A planilha de precificação grátis da Dominex já tem custo-hora, BDI e margem de contribuição prontos. Você preenche os seus números (inclusive o custo total da mão de obra quando o serviço é feito por mais de uma pessoa) e ela calcula o preço, o à vista, a parcela e a margem na hora, dividindo o custo pelo BDI do jeito certo. Os percentuais (impostos, despesas e lucro) entram como % do preço.

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O mito da conta: multiplicar não é o mesmo que dividir

Aqui está o erro que faz mais dono de empresa trabalhar de graça sem perceber, e quase ninguém te conta. Tem uma diferença gigante entre multiplicar e dividir na hora de formar preço. Os dois dão números parecidos, mas um deles te dá lucro de verdade e o outro te dá um lucro só de fachada. Vamos com números bem redondos.

O erro dos 50%: markup não é margem

Seu custo é R$ 100 e você quer "ganhar 50%". O que quase todo mundo faz é multiplicar por 1,5:

R$ 100 × 1,5 = R$ 150. "Pronto, 50% de lucro."

Errado. Você não tem 50% de lucro. Seu lucro foi de R$ 50, mas a venda foi de R$ 150. E a margem (o lucro de verdade) se mede sobre o PREÇO, não sobre o custo. Então: R$ 50 ÷ R$ 150 = 33%. Você achou que ganhava metade e ganhou um terço. Esses 17 pontos que sumiram é o que vira prejuízo no fim do mês.

Pra ter 50% de margem DE VERDADE, você não multiplica, você divide:

R$ 100 ÷ 0,5 = R$ 200. Agora sim: lucro de R$ 100 sobre uma venda de R$ 200 dá 100 ÷ 200 = 50%.

A diferença entre os dois jeitos foi R$ 50 no mesmo serviço (R$ 150 contra R$ 200). Multiplicado por todos os orçamentos do ano, é dinheiro que some do seu bolso. A tabela abaixo mostra o tamanho da pegadinha: o quanto você ACHA que está ganhando (o markup que aplica) contra o quanto REALMENTE ganha (a margem que sobra):

Markup que você aplicaContaMargem que você realmente tem
+20% (×1,2)R$ 100 → R$ 120, lucro R$ 20 ÷ 12017%
+30% (×1,3)R$ 100 → R$ 130, lucro R$ 30 ÷ 13023%
+50% (×1,5)R$ 100 → R$ 150, lucro R$ 50 ÷ 15033%
+100% (×2)R$ 100 → R$ 200, lucro R$ 100 ÷ 20050%

Repare: pra ter 50% de margem você precisa DOBRAR o preço (markup de 100%), não somar 50%. Quem confunde os dois cobra sempre menos do que pensa que cobra.

O erro do BDI: somar 32% não é o mesmo que dividir por 0,68

O mesmo mito ataca o BDI, e aqui dói mais ainda. Digamos que o seu BDI deu 0,68. O que esse número quer dizer? Que impostos + despesas + lucro somam 32% do PREÇO de venda (porque 100% − 68% = 32%). O erro comum é pegar o custo e somar esses 32%:

R$ 100 × 1,32 = R$ 132. (errado)

O certo é dividir:

R$ 100 ÷ 0,68 = R$ 147. (certo)

São R$ 15 de diferença no mesmo serviço, e o R$ 132 deixa você no prejuízo. Por quê? Pense em quem cobra os 32%. O imposto da nota é cobrado sobre o valor da venda, não sobre o seu custo. A comissão do vendedor é sobre a venda. Esses percentuais incidem sobre o PREÇO, que é o número maior. Quando você multiplica (×1,32), você calcula os 32% sobre o custo, que é o número menor, e arrecada menos do que vai precisar pagar. Quando você divide (÷0,68), os 32% caem sobre o preço final, que é exatamente sobre o que eles serão cobrados. As contas batem.

Na prática: quem multiplica acha que embutiu o imposto e o lucro, mas embutiu uma versão encolhida deles. No fim, paga o imposto cheio do próprio bolso e descobre que o "lucro" planejado evaporou. É o jeito mais silencioso de trabalhar de graça.

Resumo pra não esquecer nunca mais: porcentagem de lucro, imposto e despesa que você planeja sobre a VENDA entra no preço DIVIDINDO o custo, nunca multiplicando. Multiplicar parece igual, mas sempre cobra menos do que você precisava.

A boa notícia é que você não precisa lembrar dessa regra na pressão do orçamento. A planilha grátis de precificação (copie no Google Planilhas ou baixe em Excel) e o sistema da Dominex já fazem a conta do jeito certo, dividindo o custo pelo BDI, sem risco de você errar e descobrir o prejuízo só no fim do mês.

Quanto cobrar por hora de serviço?

Essa é a dúvida mais digitada de todas, e a resposta direta é: pegue o custo da sua hora-técnica (que calculamos acima, R$ 32,20 no exemplo) e aplique o markup. Com o markup de 1,82 do exemplo anterior, a hora vendida fica R$ 32,20 × 1,82 ≈ R$ 58,60 por hora. Esse é o preço de hora que cobre custo, despesa fixa, imposto e lucro. Cobrar abaixo disso é decisão consciente de margem menor, não pode ser por desconhecimento.

Não existe "tabela nacional" de quanto cobrar por hora porque os números mudam por região, por nível técnico e pela estrutura de cada empresa. O que existe é o método: calcule o seu custo-hora, aplique o seu markup, compare com o mercado local pra checar se está dentro. Quem te der um número de hora sem perguntar os seus custos está chutando.

Exemplos por segmento: eletricista, ar-condicionado, CFTV, solar, dedetização

O método é o mesmo pra todos, muda o que entra na conta. Veja como cada tipo de prestador adapta:

  • Eletricista: serviço comum (trocar disjuntor, instalar ponto) vai de markup sobre custo-hora + material. Já uma reforma elétrica completa de um prédio é obra, vai de BDI. O risco (NR-10) pode entrar como componente do BDI ou como adicional de periculosidade no custo da hora.
  • Instalador de ar-condicionado: uma visita de manutenção ou recarga de gás é markup. Uma instalação de VRF com infraestrutura é obra, vai de BDI. O gás e os insumos entram como custo variável (importante na margem de contribuição). Para empresas de climatização, vale conhecer o sistema para refrigeração da Dominex, que organiza OS, equipamentos e orçamento num lugar só.
  • Técnico de CFTV / segurança eletrônica: manutenção e ronda são markup; o projeto de um sistema de câmeras com cabeamento é BDI. Câmeras, DVR e cabo são variáveis fortes, então a margem de contribuição é a sua melhor amiga pra saber se o projeto fecha.
  • Instalador de energia solar: a instalação do sistema fotovoltaico é obra clássica de BDI (estrutura, mão de obra especializada, risco de altura NR-35, prazo). A operação e manutenção (O&M) recorrente vai de markup.
  • Dedetização / controle de pragas: o atendimento avulso é markup; o contrato de manutenção mensal é precificado pela margem de contribuição (você quer saber quanto cada contrato contribui pra cobrir o fixo). Produtos químicos são o custo variável.
Instalação de painéis de energia solar fotovoltaica no litoral do Ceará, com coqueiros ao fundo, exemplo de serviço de campo precificado por BDI quando é obra ou empreitada
Instalação de porte é obra: usa BDI. Manutenção avulsa é serviço do dia a dia: usa markup. O mesmo profissional usa os dois.

Erros comuns que derretem a sua margem

Esses são os furos que fazem o dono trabalhar muito e não sobrar nada:

  • Usar o salário "por hora" cru. Esquecer encargos e horas improdutivas faz você cobrar um terço do custo real, como vimos.
  • Não embutir as despesas fixas. Aluguel, carro e contador não se pagam sozinhos. Se não estão no preço, saem do seu bolso.
  • Esquecer o imposto da nota. O ISS e o Simples saem de cima do preço de venda, não do que você imaginou que era lucro.
  • Dar desconto sem saber a margem. "10% de desconto" parece pouco, mas se a sua margem era 15%, você acabou de doar dois terços do lucro daquela venda.
  • Cobrar igual ao concorrente. A estrutura de custo dele não é a sua. Copiar preço é copiar o prejuízo dele sem saber.
  • Não cobrar deslocamento. A hora de carro do técnico custa igual à hora de trabalho. Atendimento longe sem taxa de deslocamento queima margem.
  • Orçar de cabeça e não registrar. Sem histórico de quanto custou cada serviço, você nunca corrige o preço. Por isso vale orçar em sistema, com o número saindo do custo real.

Como tirar isso do papel no dia a dia

Saber a teoria é metade do caminho. A outra metade é aplicar em todo orçamento sem voltar a chutar. É aí que um sistema de gestão ajuda: você cadastra o custo-hora e o markup uma vez, e cada proposta já sai com o preço certo, com BDI quando é instalação, e com o material puxado do estoque. O técnico fecha a ordem de serviço no celular em campo, com foto e assinatura, e o orçamento vira OS, que vira nota, sem retrabalho.

A Dominex junta orçamento, proposta com BDI, ordem de serviço no app do técnico, contratos de manutenção recorrente e o financeiro num lugar só. Para quem faz manutenção programada (climatização, elevador, dedetização, CFTV), o módulo de contratos e o sistema de PMOC transformam serviço avulso em receita recorrente, que é o que dá previsibilidade pro seu caixa.

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Perguntas frequentes sobre quanto cobrar por um serviço

Como calcular o preço de um serviço?

Some quatro blocos: custo direto (mão de obra + material daquele serviço), despesa fixa rateada, impostos sobre a nota e o lucro desejado. Na prática, calcule o custo da hora-técnica, some o material, e aplique um markup pra cobrir despesa, imposto e lucro de uma vez. Para obra ou instalação de porte, use BDI no lugar do markup.

O que é BDI e como calcular?

BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o que entra no preço além do custo direto: impostos, despesas indiretas da empresa e lucro. No método que o sistema da Dominex usa, o BDI é um fator: BDI = (100 − impostos% − administração% − lucro%) ÷ 100. Depois, Preço = Custo total ÷ BDI. Exemplo: impostos 10% + administração 12% + lucro 15% = 37%, então BDI = 0,63, e um custo de R$ 100 vira R$ 100 ÷ 0,63 = R$ 158,73. O custo total inclui mão de obra, materiais e deslocamento (km × custo por km).

Por que dividir e não multiplicar na hora de cobrar?

Porque imposto, comissão e lucro são cobrados sobre o preço de venda, não sobre o custo. Se você multiplica o custo (ex.: R$ 100 × 1,5 = R$ 150 querendo 50%), a margem real fica em só 33%, porque R$ 50 de lucro sobre R$ 150 de venda dá 33%. Pra ter 50% de margem de verdade você divide: R$ 100 ÷ 0,5 = R$ 200. Multiplicar sempre cobra menos do que você planejou e come o seu lucro sem você perceber.

Qual a diferença entre markup e margem?

Markup é o quanto você acrescenta sobre o custo; margem é o quanto sobra de lucro sobre o preço de venda. Não são iguais: um markup de 50% (×1,5) dá uma margem de só 33%, e um markup de 100% (×2) é que dá 50% de margem. Confundir os dois é o erro mais comum de quem precifica e a causa de cobrar abaixo do necessário.

Qual a diferença entre markup e margem de contribuição?

O markup é um multiplicador que define o preço de venda já cobrindo despesas, impostos e lucro. A margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois dos custos variáveis, e serve pra decidir se vale pegar o trabalho e pra calcular o ponto de equilíbrio (quantos serviços por mês cobrem o fixo). Um forma preço, o outro apoia decisão.

Quanto cobrar por hora de trabalho?

Calcule o custo real da sua hora-técnica (salário + encargos, dividido pelas horas produtivas reais, não pelas 220h do mês) e aplique o seu markup. No exemplo deste guia, o custo-hora de R$ 32,20 com markup de 1,82 resulta em cerca de R$ 58,60 por hora. Não existe valor único nacional, existe o seu número saído dos seus custos.

Qual a margem de lucro ideal pra prestador de serviço?

Depende do segmento e da estrutura, mas uma margem de lucro líquido entre 10% e 20% é uma referência saudável para empresas de serviço. O importante é que o lucro seja uma linha definida dentro do preço, e não "o que sobrar". Margem muito baixa não cria reserva nem paga investimento; margem alta demais te tira do mercado.

Referências

  • Sebrae. Precificação de serviços e formação de preço (custo, markup, margem de contribuição e ponto de equilíbrio). sebrae.com.br ↗
  • Sebrae. Precificação, margem de lucro e ponto de equilíbrio. sebraepr.com.br ↗
  • Presidência da República. Lei Complementar nº 116/2003 (ISS, lista de serviços, alíquota mínima 2% e máxima 5%). planalto.gov.br ↗
  • Receita Federal. Simples Nacional (anexos, faixas e alíquotas do prestador). receita.fazenda.gov.br ↗
  • Portal do Empreendedor. MEI: tributação fixa mensal. gov.br/empreendedor ↗
  • Tribunal de Contas da União (TCU). Acórdão 2622/2013 (faixas de referência de BDI por tipo de obra). portal.tcu.gov.br ↗

Créditos das imagens

  • Eletricistas trabalhando em Belo Horizonte (MG), Brasil: foto de Andrevruas, via Wikimedia Commons, licença CC BY 3.0. Ver original ↗
  • Instalação de energia solar fotovoltaica em Baleia (CE), Brasil: foto de Riosolar, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0. Ver original ↗