Quanto cobrar por um serviço: como calcular o preço da mão de obra (com planilha grátis)
Gestão de Campo · Equipe Dominex · 2026-06-28
Quase todo dono de empresa de serviço já passou por isso: o cliente pede um orçamento, você olha pro teto, faz uma conta de cabeça e solta um número. Às vezes ganha o trabalho e descobre no fim do mês que trabalhou de graça. Às vezes perde porque cobrou caro sem saber por quê. O problema não é falta de competência técnica, é que ninguém ensina o dono a formar preço. Este guia resolve isso de cabo a rabo: como calcular o custo da sua hora de trabalho, como montar o preço com lucro de verdade e quando usar cada uma das três formas de precificar (BDI, markup e margem de contribuição).
Vale pra qualquer serviço de campo: eletricista, instalador de ar-condicionado, técnico de CFTV, instalador de energia solar, dedetizador, provedor de internet, manutenção predial. A lógica é a mesma. Muda só o número que entra na conta. E no fim você baixa uma planilha gratuita que faz toda essa matemática pra você.
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Calcula o custo da sua hora-técnica, aplica o BDI e a margem de contribuição automaticamente. Você digita o custo da mão de obra (de um técnico ou da equipe inteira) e os seus percentuais, e ela monta o preço, o valor à vista, a parcela e a margem. Já faz a conta do jeito certo, dividindo o custo pelo BDI, sem risco de você multiplicar errado.
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Como calcular o preço de um serviço?
O preço de um serviço é a soma de quatro blocos: o custo direto (mão de obra e material daquele trabalho), as despesas fixas da sua empresa rateadas, os impostos sobre a nota, e o lucro que você quer ganhar. Quem esquece de qualquer um desses blocos cobra menos do que deveria e financia o próprio prejuízo sem perceber.
A frase resume tudo: preço não é o que o concorrente cobra, é o que cobre seus custos mais a margem que você quer. Olhar o concorrente serve pra saber se você está dentro do mercado, mas o ponto de partida sempre são os seus números. Vamos abrir os quatro blocos.
Bloco 1: custo direto (mão de obra + material)
É tudo que aquele serviço específico consome. O material aplicado (cabo, gás, fita, peça, sensor) e as horas de trabalho do técnico naquele atendimento. A parte de material é fácil, é o que você pagou no fornecedor. A parte da mão de obra é onde quase todo mundo erra, porque acha que o custo da hora é só o salário dividido pelas horas do mês. Não é. Mais adiante mostramos o cálculo correto do custo da hora-técnica.
Bloco 2: despesa fixa rateada
São os custos que você paga existindo, vendendo ou não: aluguel, energia do escritório, internet, salário de quem não vai a campo, contador, carro da empresa, ferramentas, software de gestão. Esse valor precisa estar embutido no preço de cada serviço, senão ele não se paga. O jeito de embutir é ratear: pega o total de despesa fixa do mês e divide pelas horas produtivas que a equipe entrega no mês.
Bloco 3: impostos sobre a nota
Quando você emite a nota fiscal de serviço (NFS-e), incide imposto. Para a maioria das pequenas empresas de serviço no Simples Nacional, a alíquota efetiva costuma ficar entre 6% e 18% conforme a faixa de faturamento e o anexo. Para o MEI, há um valor fixo mensal. O imposto sai de cima do preço de venda, então ele precisa estar dentro do preço, não pode ser descontado do seu lucro depois.
O ISS (Imposto Sobre Serviços) é o tributo municipal que incide sobre a prestação de serviços. A alíquota é definida por cada município, dentro do limite mínimo de 2% e máximo de 5% fixado em lei complementar federal.
Bloco 4: lucro
O lucro é o que sobra pra você depois de cobrir custos, despesas e impostos. Não é "o que sobrar no fim do mês", é uma porcentagem que você decide e coloca dentro do preço de propósito. Sem essa linha, sua empresa só empata, e empatar não paga investimento, reserva, nem o seu pró-labore de verdade.
Como calcular o custo da hora-técnica passo a passo
Antes de cobrar por hora, você precisa saber quanto a sua hora custa. Esse é o erro número um de quem precifica no chute: dividir o salário pelas 220 horas do mês e achar que aquilo é o custo. Não é, por dois motivos. Primeiro, o técnico custa muito mais que o salário (tem encargo, férias, 13º, FGTS). Segundo, ele não produz 220 horas, porque parte do tempo é deslocamento, almoço, café, retrabalho e ociosidade.
O cálculo correto tem quatro passos. Vamos com um exemplo de um técnico com salário de R$ 2.500.
| Passo | O que entra | Exemplo |
|---|---|---|
| 1. Salário base | O que está na carteira | R$ 2.500 |
| 2. + Encargos | FGTS, férias + 1/3, 13º, INSS patronal, provisões (de 60% a 80% sobre o salário no regime CLT) | + R$ 1.750 (70%) = R$ 4.250/mês |
| 3. Horas produtivas reais | Não são as 220h. Tire deslocamento, almoço, ociosidade. Reste em torno de 6h úteis por dia útil | ≈ 132 horas/mês |
| 4. Custo da hora-técnica | Custo total ÷ horas produtivas | R$ 4.250 ÷ 132 = R$ 32,20/hora |
Veja o tamanho do erro: o salário "por hora" ingênuo seria R$ 2.500 ÷ 220 = R$ 11,36. O custo real da hora é R$ 32,20, quase o triplo. Quem cobra com base nos R$ 11,36 está pagando pra trabalhar. E isso é só o custo da hora, ainda sem despesa fixa, imposto e lucro por cima. Por isso a próxima etapa é decidir qual método usar pra transformar custo em preço.
As 3 formas de precificar: BDI, markup e margem de contribuição
Existem três métodos clássicos pra transformar custo em preço de venda. Eles não competem entre si, cada um serve a uma situação. O markup é o do dia a dia (orçamento de serviço comum). O BDI é o de obra e instalação (empreitada). A margem de contribuição é a ferramenta de decisão (saber se vale a pena pegar o trabalho e qual o seu ponto de equilíbrio). Vamos abrir cada um com fórmula e exemplo, e no fim uma tabela diz quando usar qual.
O que é markup e como calcular?
O markup é um multiplicador que você aplica sobre o custo pra chegar no preço de venda já cobrindo despesas fixas, impostos e lucro de uma vez só. É o método mais usado no orçamento de serviço do dia a dia, porque é rápido: calcula o multiplicador uma vez e aplica em todo orçamento.
A fórmula do divisor do markup é:
Markup = 1 ÷ [ 1 − (%despesas fixas + %impostos + %lucro) ]
Todos os percentuais sobre o preço de venda, em forma decimal.
Exemplo. Suponha despesas fixas representando 20% do faturamento, impostos de 10% e lucro desejado de 15%:
| Item | % |
|---|---|
| Despesas fixas | 20% |
| Impostos (Simples/ISS) | 10% |
| Lucro desejado | 15% |
| Soma | 45% (0,45) |
| 1 − 0,45 | 0,55 |
| Markup = 1 ÷ 0,55 | ≈ 1,82 |
Pronto. Se o custo direto de um serviço (mão de obra + material) deu R$ 200, o preço de venda é R$ 200 × 1,82 = R$ 364. Esse preço já cobre as despesas fixas, os impostos da nota e os 15% de lucro. Repare que multiplicar o custo "por 2 no olho" daria R$ 400, e abaixo de 1,82 você estaria comendo o próprio lucro. É por isso que o multiplicador tem que vir de conta, não de hábito.
O que é BDI e como calcular?
BDI é a sigla de Benefícios e Despesas Indiretas. Em português simples: é tudo que tem que estar dentro do preço além do custo direto do serviço (impostos, despesas da empresa que não aparecem na conta da obra, e o seu lucro). É o método que o sistema da Dominex usa pra montar o preço de orçamentos e propostas, principalmente em instalação e obra. Se você instala ar-condicionado, monta usina solar, faz infraestrutura de rede ou reforma elétrica, o BDI é a sua linguagem.
Aqui vem o ponto que quase todo mundo entende errado, e que dá autoridade pro nosso método: no BDI você não soma a porcentagem ao custo, você divide o custo por um fator. É exatamente assim que o Dominex calcula. Veja a fórmula que o sistema usa, ela é mais simples do que parece:
BDI = (100 − impostos% − administração% − lucro%) ÷ 100
O resultado é um fator (um número entre 0 e 1). Depois: Preço = Custo total ÷ BDI.
Vamos a um exemplo. Suponha impostos de 10%, despesas de administração (os custos indiretos da empresa) de 12% e lucro desejado de 15%:
| Componente | % |
|---|---|
| Impostos sobre a nota | 10% |
| Administração / custos indiretos | 12% |
| Lucro desejado | 15% |
| Soma | 37% |
| 100 − 37 | 63 |
| BDI = 63 ÷ 100 | 0,63 |
Agora é só dividir o custo pelo fator. Se o custo total de um serviço deu R$ 100, o preço é R$ 100 ÷ 0,63 = R$ 158,73. Esse preço já cobre os 10% de imposto, os 12% de administração e os 15% de lucro, todos calculados sobre o preço de venda (que é o jeito certo, como explicamos mais abaixo na seção dos mitos).
O que entra no "custo total"
No método do Dominex, o custo total que vai pra dentro da divisão é a soma de três coisas:
- Mão de obra daquele serviço (lembrando do custo-hora real, não do salário cru).
- Materiais aplicados (peças, gás, cabo, insumos).
- Deslocamento, que é a distância em quilômetros vezes o seu custo por quilômetro (km × custo por km). Atendimento longe custa caro e tem que entrar na conta.
À vista e parcelado
Depois de chegar no preço, o sistema ainda calcula as duas formas de pagamento:
- À vista: preço × (1 − desconto%). Com 6% de desconto, R$ 158,73 × 0,94 = R$ 149,21.
- Parcelado: preço ÷ número de parcelas. Em 10 vezes, R$ 158,73 ÷ 10 = R$ 15,87 por parcela.
Um detalhe pra quem já ouviu falar de BDI em construção civil: existe sim uma fórmula mais longa do BDI composto (usada em obra pública, referência do TCU) que multiplica vários fatores de risco, seguro e garantia. Mas o método prático que o Dominex usa, e que resolve a vida da grande maioria das empresas de serviço, é esse do divisor acima: rápido, claro e difícil de errar.
Boa notícia: você não precisa fazer essa conta na mão a cada orçamento. O sistema da Dominex já calcula o BDI dentro do módulo de orçamentos e propostas, com impostos, administração, lucro e deslocamento separados, e já entrega o preço final, o valor à vista e a parcela. É só montar a proposta direto no celular ou no computador.
Qual a diferença entre markup e margem de contribuição?
Markup e margem de contribuição parecem a mesma coisa, mas respondem perguntas diferentes. O markup te diz qual preço cobrar. A margem de contribuição te diz quanto sobra de cada venda pra pagar as despesas fixas e gerar lucro, e a partir de quantos serviços por mês sua empresa começa a ganhar dinheiro (o ponto de equilíbrio). Markup é ferramenta de formação de preço; margem é ferramenta de decisão.
A fórmula é:
Margem de contribuição = Preço de venda − Custos e despesas variáveis
Variáveis = o que só existe se a venda acontecer (material aplicado, comissão, imposto sobre aquela nota).
Exemplo. Um serviço vendido por R$ 364, com custo variável (material + imposto + comissão) de R$ 150:
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda | R$ 364 |
| (−) Custos e despesas variáveis | R$ 150 |
| = Margem de contribuição | R$ 214 (59%) |
Esses R$ 214 são o que cada serviço "contribui" pra pagar as despesas fixas da empresa. Se a sua despesa fixa mensal é R$ 6.000, você precisa de R$ 6.000 ÷ R$ 214 ≈ 28 serviços por mês só pra empatar (ponto de equilíbrio). Do 29º em diante, é lucro. Essa é a leitura que o markup sozinho não te dá, e é por isso que vale dominar os dois.
Tabela comparativa: quando usar cada um
| Método | O que faz | Quando usar | Pergunta que responde |
|---|---|---|---|
| Markup | Multiplica o custo pra chegar no preço já com despesa, imposto e lucro | Orçamento de serviço do dia a dia (visita, manutenção, conserto, atendimento avulso) | Qual preço cobrar agora? |
| BDI | Divide o custo total por um fator pra embutir imposto, indiretos e lucro de uma vez | Instalação, obra e proposta montada no sistema (método que o Dominex usa) | Qual preço já com imposto, indiretos e lucro? |
| Margem de contribuição | Mostra quanto cada venda contribui depois dos variáveis | Decidir se vale pegar o trabalho, achar o ponto de equilíbrio, comparar serviços | Vale a pena? A partir de quantos por mês eu lucro? |
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A planilha de precificação grátis da Dominex já tem custo-hora, BDI e margem de contribuição prontos. Você preenche os seus números (inclusive o custo total da mão de obra quando o serviço é feito por mais de uma pessoa) e ela calcula o preço, o à vista, a parcela e a margem na hora, dividindo o custo pelo BDI do jeito certo. Os percentuais (impostos, despesas e lucro) entram como % do preço.
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O mito da conta: multiplicar não é o mesmo que dividir
Aqui está o erro que faz mais dono de empresa trabalhar de graça sem perceber, e quase ninguém te conta. Tem uma diferença gigante entre multiplicar e dividir na hora de formar preço. Os dois dão números parecidos, mas um deles te dá lucro de verdade e o outro te dá um lucro só de fachada. Vamos com números bem redondos.
O erro dos 50%: markup não é margem
Seu custo é R$ 100 e você quer "ganhar 50%". O que quase todo mundo faz é multiplicar por 1,5:
R$ 100 × 1,5 = R$ 150. "Pronto, 50% de lucro."
Errado. Você não tem 50% de lucro. Seu lucro foi de R$ 50, mas a venda foi de R$ 150. E a margem (o lucro de verdade) se mede sobre o PREÇO, não sobre o custo. Então: R$ 50 ÷ R$ 150 = 33%. Você achou que ganhava metade e ganhou um terço. Esses 17 pontos que sumiram é o que vira prejuízo no fim do mês.
Pra ter 50% de margem DE VERDADE, você não multiplica, você divide:
R$ 100 ÷ 0,5 = R$ 200. Agora sim: lucro de R$ 100 sobre uma venda de R$ 200 dá 100 ÷ 200 = 50%.
A diferença entre os dois jeitos foi R$ 50 no mesmo serviço (R$ 150 contra R$ 200). Multiplicado por todos os orçamentos do ano, é dinheiro que some do seu bolso. A tabela abaixo mostra o tamanho da pegadinha: o quanto você ACHA que está ganhando (o markup que aplica) contra o quanto REALMENTE ganha (a margem que sobra):
| Markup que você aplica | Conta | Margem que você realmente tem |
|---|---|---|
| +20% (×1,2) | R$ 100 → R$ 120, lucro R$ 20 ÷ 120 | 17% |
| +30% (×1,3) | R$ 100 → R$ 130, lucro R$ 30 ÷ 130 | 23% |
| +50% (×1,5) | R$ 100 → R$ 150, lucro R$ 50 ÷ 150 | 33% |
| +100% (×2) | R$ 100 → R$ 200, lucro R$ 100 ÷ 200 | 50% |
Repare: pra ter 50% de margem você precisa DOBRAR o preço (markup de 100%), não somar 50%. Quem confunde os dois cobra sempre menos do que pensa que cobra.
O erro do BDI: somar 32% não é o mesmo que dividir por 0,68
O mesmo mito ataca o BDI, e aqui dói mais ainda. Digamos que o seu BDI deu 0,68. O que esse número quer dizer? Que impostos + despesas + lucro somam 32% do PREÇO de venda (porque 100% − 68% = 32%). O erro comum é pegar o custo e somar esses 32%:
R$ 100 × 1,32 = R$ 132. (errado)
O certo é dividir:
R$ 100 ÷ 0,68 = R$ 147. (certo)
São R$ 15 de diferença no mesmo serviço, e o R$ 132 deixa você no prejuízo. Por quê? Pense em quem cobra os 32%. O imposto da nota é cobrado sobre o valor da venda, não sobre o seu custo. A comissão do vendedor é sobre a venda. Esses percentuais incidem sobre o PREÇO, que é o número maior. Quando você multiplica (×1,32), você calcula os 32% sobre o custo, que é o número menor, e arrecada menos do que vai precisar pagar. Quando você divide (÷0,68), os 32% caem sobre o preço final, que é exatamente sobre o que eles serão cobrados. As contas batem.
Na prática: quem multiplica acha que embutiu o imposto e o lucro, mas embutiu uma versão encolhida deles. No fim, paga o imposto cheio do próprio bolso e descobre que o "lucro" planejado evaporou. É o jeito mais silencioso de trabalhar de graça.
Resumo pra não esquecer nunca mais: porcentagem de lucro, imposto e despesa que você planeja sobre a VENDA entra no preço DIVIDINDO o custo, nunca multiplicando. Multiplicar parece igual, mas sempre cobra menos do que você precisava.
A boa notícia é que você não precisa lembrar dessa regra na pressão do orçamento. A planilha grátis de precificação (copie no Google Planilhas ou baixe em Excel) e o sistema da Dominex já fazem a conta do jeito certo, dividindo o custo pelo BDI, sem risco de você errar e descobrir o prejuízo só no fim do mês.
Quanto cobrar por hora de serviço?
Essa é a dúvida mais digitada de todas, e a resposta direta é: pegue o custo da sua hora-técnica (que calculamos acima, R$ 32,20 no exemplo) e aplique o markup. Com o markup de 1,82 do exemplo anterior, a hora vendida fica R$ 32,20 × 1,82 ≈ R$ 58,60 por hora. Esse é o preço de hora que cobre custo, despesa fixa, imposto e lucro. Cobrar abaixo disso é decisão consciente de margem menor, não pode ser por desconhecimento.
Não existe "tabela nacional" de quanto cobrar por hora porque os números mudam por região, por nível técnico e pela estrutura de cada empresa. O que existe é o método: calcule o seu custo-hora, aplique o seu markup, compare com o mercado local pra checar se está dentro. Quem te der um número de hora sem perguntar os seus custos está chutando.
Exemplos por segmento: eletricista, ar-condicionado, CFTV, solar, dedetização
O método é o mesmo pra todos, muda o que entra na conta. Veja como cada tipo de prestador adapta:
- Eletricista: serviço comum (trocar disjuntor, instalar ponto) vai de markup sobre custo-hora + material. Já uma reforma elétrica completa de um prédio é obra, vai de BDI. O risco (NR-10) pode entrar como componente do BDI ou como adicional de periculosidade no custo da hora.
- Instalador de ar-condicionado: uma visita de manutenção ou recarga de gás é markup. Uma instalação de VRF com infraestrutura é obra, vai de BDI. O gás e os insumos entram como custo variável (importante na margem de contribuição). Para empresas de climatização, vale conhecer o sistema para refrigeração da Dominex, que organiza OS, equipamentos e orçamento num lugar só.
- Técnico de CFTV / segurança eletrônica: manutenção e ronda são markup; o projeto de um sistema de câmeras com cabeamento é BDI. Câmeras, DVR e cabo são variáveis fortes, então a margem de contribuição é a sua melhor amiga pra saber se o projeto fecha.
- Instalador de energia solar: a instalação do sistema fotovoltaico é obra clássica de BDI (estrutura, mão de obra especializada, risco de altura NR-35, prazo). A operação e manutenção (O&M) recorrente vai de markup.
- Dedetização / controle de pragas: o atendimento avulso é markup; o contrato de manutenção mensal é precificado pela margem de contribuição (você quer saber quanto cada contrato contribui pra cobrir o fixo). Produtos químicos são o custo variável.
Erros comuns que derretem a sua margem
Esses são os furos que fazem o dono trabalhar muito e não sobrar nada:
- Usar o salário "por hora" cru. Esquecer encargos e horas improdutivas faz você cobrar um terço do custo real, como vimos.
- Não embutir as despesas fixas. Aluguel, carro e contador não se pagam sozinhos. Se não estão no preço, saem do seu bolso.
- Esquecer o imposto da nota. O ISS e o Simples saem de cima do preço de venda, não do que você imaginou que era lucro.
- Dar desconto sem saber a margem. "10% de desconto" parece pouco, mas se a sua margem era 15%, você acabou de doar dois terços do lucro daquela venda.
- Cobrar igual ao concorrente. A estrutura de custo dele não é a sua. Copiar preço é copiar o prejuízo dele sem saber.
- Não cobrar deslocamento. A hora de carro do técnico custa igual à hora de trabalho. Atendimento longe sem taxa de deslocamento queima margem.
- Orçar de cabeça e não registrar. Sem histórico de quanto custou cada serviço, você nunca corrige o preço. Por isso vale orçar em sistema, com o número saindo do custo real.
Como tirar isso do papel no dia a dia
Saber a teoria é metade do caminho. A outra metade é aplicar em todo orçamento sem voltar a chutar. É aí que um sistema de gestão ajuda: você cadastra o custo-hora e o markup uma vez, e cada proposta já sai com o preço certo, com BDI quando é instalação, e com o material puxado do estoque. O técnico fecha a ordem de serviço no celular em campo, com foto e assinatura, e o orçamento vira OS, que vira nota, sem retrabalho.
A Dominex junta orçamento, proposta com BDI, ordem de serviço no app do técnico, contratos de manutenção recorrente e o financeiro num lugar só. Para quem faz manutenção programada (climatização, elevador, dedetização, CFTV), o módulo de contratos e o sistema de PMOC transformam serviço avulso em receita recorrente, que é o que dá previsibilidade pro seu caixa.
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Perguntas frequentes sobre quanto cobrar por um serviço
Como calcular o preço de um serviço?
Some quatro blocos: custo direto (mão de obra + material daquele serviço), despesa fixa rateada, impostos sobre a nota e o lucro desejado. Na prática, calcule o custo da hora-técnica, some o material, e aplique um markup pra cobrir despesa, imposto e lucro de uma vez. Para obra ou instalação de porte, use BDI no lugar do markup.
O que é BDI e como calcular?
BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o que entra no preço além do custo direto: impostos, despesas indiretas da empresa e lucro. No método que o sistema da Dominex usa, o BDI é um fator: BDI = (100 − impostos% − administração% − lucro%) ÷ 100. Depois, Preço = Custo total ÷ BDI. Exemplo: impostos 10% + administração 12% + lucro 15% = 37%, então BDI = 0,63, e um custo de R$ 100 vira R$ 100 ÷ 0,63 = R$ 158,73. O custo total inclui mão de obra, materiais e deslocamento (km × custo por km).
Por que dividir e não multiplicar na hora de cobrar?
Porque imposto, comissão e lucro são cobrados sobre o preço de venda, não sobre o custo. Se você multiplica o custo (ex.: R$ 100 × 1,5 = R$ 150 querendo 50%), a margem real fica em só 33%, porque R$ 50 de lucro sobre R$ 150 de venda dá 33%. Pra ter 50% de margem de verdade você divide: R$ 100 ÷ 0,5 = R$ 200. Multiplicar sempre cobra menos do que você planejou e come o seu lucro sem você perceber.
Qual a diferença entre markup e margem?
Markup é o quanto você acrescenta sobre o custo; margem é o quanto sobra de lucro sobre o preço de venda. Não são iguais: um markup de 50% (×1,5) dá uma margem de só 33%, e um markup de 100% (×2) é que dá 50% de margem. Confundir os dois é o erro mais comum de quem precifica e a causa de cobrar abaixo do necessário.
Qual a diferença entre markup e margem de contribuição?
O markup é um multiplicador que define o preço de venda já cobrindo despesas, impostos e lucro. A margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois dos custos variáveis, e serve pra decidir se vale pegar o trabalho e pra calcular o ponto de equilíbrio (quantos serviços por mês cobrem o fixo). Um forma preço, o outro apoia decisão.
Quanto cobrar por hora de trabalho?
Calcule o custo real da sua hora-técnica (salário + encargos, dividido pelas horas produtivas reais, não pelas 220h do mês) e aplique o seu markup. No exemplo deste guia, o custo-hora de R$ 32,20 com markup de 1,82 resulta em cerca de R$ 58,60 por hora. Não existe valor único nacional, existe o seu número saído dos seus custos.
Qual a margem de lucro ideal pra prestador de serviço?
Depende do segmento e da estrutura, mas uma margem de lucro líquido entre 10% e 20% é uma referência saudável para empresas de serviço. O importante é que o lucro seja uma linha definida dentro do preço, e não "o que sobrar". Margem muito baixa não cria reserva nem paga investimento; margem alta demais te tira do mercado.
Referências
- Sebrae. Precificação de serviços e formação de preço (custo, markup, margem de contribuição e ponto de equilíbrio). sebrae.com.br ↗
- Sebrae. Precificação, margem de lucro e ponto de equilíbrio. sebraepr.com.br ↗
- Presidência da República. Lei Complementar nº 116/2003 (ISS, lista de serviços, alíquota mínima 2% e máxima 5%). planalto.gov.br ↗
- Receita Federal. Simples Nacional (anexos, faixas e alíquotas do prestador). receita.fazenda.gov.br ↗
- Portal do Empreendedor. MEI: tributação fixa mensal. gov.br/empreendedor ↗
- Tribunal de Contas da União (TCU). Acórdão 2622/2013 (faixas de referência de BDI por tipo de obra). portal.tcu.gov.br ↗
Créditos das imagens
- Eletricistas trabalhando em Belo Horizonte (MG), Brasil: foto de Andrevruas, via Wikimedia Commons, licença CC BY 3.0. Ver original ↗
- Instalação de energia solar fotovoltaica em Baleia (CE), Brasil: foto de Riosolar, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0. Ver original ↗